Curso de Marketing Digital Udacity

Vale mesmo a pena fazer o curso de marketing digital da Udacity?

A Udacity, startup do vale do silício da área de educação, já era conhecida na área de TI pelos seus nanodegrees: uma espécie de mini graduação destinada a formar pessoas de acordo com as necessidades do mercado de tecnologia.

Em abril deste ano, a startup iniciou um nanoegree em marketing digital no Brasil, uma área mais abrangente com muita demanda de mão de obra qualificada.

O curso é novíssimo. A primeira turma nos EUA abriu em março. No mês seguinte já estavam por aqui anunciando o curso e apregoando as parcerias que a empresa firmou com Google, Facebook e outros nomes de peso da área.

A Udacity se vende também como a Universidade do Vale do Silício.

A parceria do curso de marketing digital com os principais players do mercado, o nome poderoso na indústria aliado a uma campanha agressiva de divulgação, mexeu muita gente: fala-se que cerca de 2 mil pessoas se inscreveram na primeira turma.

O curso continua sendo muito divulgado e dezenas de pessoas perguntam se ele realmente vale a pena. Eu fui uma das que entrarm em abril e, abaixo, conto um pouco da minha experiência

Pontos fortes do Nanodegree

Na internet há uma infinidade de cursos de marketing digital. São para todos os gostos. Desde minicursos gratuitos como os da Rock Content Academy, até os MBA’s na área com duração de 18 meses e mensalidades mais caras, como é o caso da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

A vantagem do nanodegree da Udacity é ser abrangente, rápido e didático. Ele passa pelos principais pilares do marketing digital desde o planejamento até a técnicas de criação de conteúdo, gestão de redes sociais, SEO e criação de anúncios.

Embora não aprofunde muito em cada uma das áreas, é um curso redondo e que vai dar ao aluno uma visão geral das boas práticas do mercado.

A dinâmica funciona assim: cada módulo tem uma série de vídeos curtos, diretos, com exemplos e dicas de ferramentas para facilitar o trabalho. Ao final, um projeto a ser executado. Ele depois é avaliado e o aluno recebe um feedback de um dos especialistas da Udacity.

Eu já passei por toda fase de planejamento, mídias sociais, anúncios e otimização de mecanismo de busca (SEO) e, embora muito do curso eu já tenha estudado, ter acesso a esse conteúdo de forma estruturada foi importante.

Neste sentido, está sendo uma experiência boa tanto para me atualizar, como para abrir meus horizontes como profissional.

Atualmente estou no módulo de SEM (Marketing em Mecanismo de Busca) e para terminar o curso faltam outros três módulos. A duração sugerida é de 3 meses e minha meta é completá-lo em 2.

Mas nem tudo são flores.

Os principais defeitos

O curso da Udacity não é barato.

O valor começa a partir de R$ 1990, se você se inscrever com antecedência antes de uma nova turma começar. Caso você demore um pouquinho para tomar a decisão, o investimento sobe chega à marca dos R$ 2 mil.

Por esse investimento, uma das coisas que mais se espera é organização por parte da empresa. Existe a impressão entre os alunos, principalmente os da turma de abril, de que não havia estrutura para atender a demanda.

Existem problemas, por exemplo, na tradução e revisão do material didático. Eles cometeram o erro de deixar módulos abertos sem que estivessem devidamente traduzidos e revisados.

E aí, o que aconteceu? Muitos chegaram a módulos que ainda estavam em inglês, ou que a tradução continham erros grotescos de português.

Outro problema é a demora das revisões dos projetos. Inicialmente eles davam 24h para fazer essa revisão, mas até o momento o prazo não foi cumprido. Os primeiros projetos que entreguei, por exemplo, chegaram a demorar mais de 2 semanas no processo de revisão da Udacity.

A startup fala que está cadastrando mais revisores de projetos para acelerar o processo. Verdade. O último projeto que enviei foi revisado em um prazo mais curto.

Houve a promessa de que os alunos teriam acesso a mentores que ajudariam com dúvidas no decorrer do curso. Isso até agora não foi cumprido nas turmas que abriram no Brasil.

O que há é um grupo no WhatsApp que nos dá acesso aos coordenadores do curso no país. Eles fazem o meio campo entre os alunos e a empresa. No grupo, os alunos tiram dúvidas entre eles.

Outra questão polêmica que envolve o curso é que os projetos têm como cliente a própria Udacity. No projeto 1, por exemplo, faz-se um planejamento de marketing para a empresa. No 3, um anúncio de facebook voltado ao público alvo da empresa.

Muitos alegam que era como se os estudantes pagassem para fazer o marketing da Udacity. Em vídeo, os instrutores do curso responderam que esta era a melhor forma de ter controle adequado sobre os projetos para garantir um bom feedback.

Esta postura frustrou muita gente, que esperava trabalhar os projetos com pequenas empresas, não para a própria instituição.

E aí, é melhor fazer ou não?

Eu ainda preciso terminar o curso e passar pela parte de orientação profissional e carreira e poder dar meu veredito final. Os problemas são chatos, mas o conteúdo e a didática funcionam.

Os erros do curso, aliás, são típicos daqueles recém abertos. Entendo que estas primeiras turmas são espécie de cobaias para o aperfeiçoamento futuro do nanodegree.

Se você está pensando em fazer, mas sua capacidade de investimento é pequena, talvez seja melhor esperar um pouco. Existem bons cursos mais baratos no mercado, embora não tenha o peso que a Udacity tem hoje.

Caso você possa arcar com o valor da inscrição, mesmo com esses erros, eu ainda acho que vale a pena. Vale pela estruturação do curso, pela didática, e pelo contato com profissionais do Brasil e do mundo.

Ps. Quer saber minha avaliação final do curso? Leia aqui.

Ps. Fui alertado por alguns companheiros de estudo sobre o slack, o canal oficial de comunicação entre a startup e os alunos. Não o citei no texto, inicialmente, porque vejo ele sendo pouco usado no Brasil.

Texto publicado originalmente no LinkedIn.

Um comentário sobre “Vale mesmo a pena fazer o curso de marketing digital da Udacity?”

Deixe uma resposta