Por jornalistas mais empreendedores

Na jornada de um ano em que o Apartamento702 está no ar, fiz um punhado de bons amigos e consegui ótimos parceiros que ajudam a manter o site, seja com excelentes sugestões, seja colocando a mão na massa.

Um deles, em especial, sempre me falou que não entendia por que os jornalistas reclamam tanto da falta de emprego, das demissões e do salário baixo. Afinal, segundo ele, a internet abriu um leque de oportunidade para eles trabalharem por conta própria.

Este amigo — que hoje nos ajuda MUITO mantendo o site estável e rápido — está longe de ser um típico exemplar de jornalista que é formado todos os anos nos corredores de humanas das universidades do Brasil.

Ele veio da área da tecnologia para abraçar a comunicação porque gosta e faz uma observação que é crucial para a nossa área: por que a cultura de empreendedorismo dos jornalistas é tão fraca?

É uma pergunta pertinente, já que o mercado para quem é da área é de chorar: agências de mídias sociais, jornais, rádios e TVs que, em geral, pagam pouco em troca de um alto volume de trabalho, nem sempre com boas condições e com quase nenhuma perspectiva de crescimento.

Eu que nasci para o mundo profissional no berço da redação de jornal ainda via, além de tudo isso, a iminência morte dos jornais impressos como outra ameaça ao meu futuro.

E, como todos os meus colegas, sempre reclamei (e muito!)

A questão é, se o mercado exige e paga pouco, não é melhor mandar este mercado às favas e tentar criar algo seu?

Algo que seja suficientemente novo e razoavelmente bom para garantir um trocado melhor do que o piso do jornalista e, de quebra, te matar de orgulho de ver um filho nascendo e crescendo?

A ideia é de, ao invés de gastar aquela energia numa empresa que você não gosta e que não te paga bem, empregar essa mesma vontade num negócio que você criou.

Não seria legal?

Sei que meus colegas de profissão logo iriam culpar o fato de que não foram preparados para empreender, não sabem bulhufas de plano de negócios, modelo de negócios e vendas, nem nada.

Isso sem falar no tradicional ceticismo e mal humor do jornalista.

Mas a internet está aí, o Google é uma ferramenta poderosa que agrega milhares de sites e que, se não vão te formar um administrador, pelo menos vão te dar uma noção de como as coisas funcionam.

O Medium, por exemplo, tem excelentes textos em inglês e em português sobre empreendedorismo. Basta querer, procurar, ir atrás.

E se o jornalista não aprendeu a empreender, ele pelo menos aprendeu a perguntar e a procurar as pessoas certas para pedir ajuda quando a coisa esquentar.

Por isso que está na hora de quem está insatisfeito tirar a bunda da cadeira, parar de reclamar que o mercado está ruim e usar essa energia para construir alguma coisa de diferente e nova.

E olha, há bastante coisa bem legal aparecendo por aí. Quer um exemplo?

O Brio, plataforma de jornalismo criada recentemente, com um modelo de monetização novo e prometendo reportagens de fôlego. É uma ideia excelente e que promete muito.

Ah, mas empreender é difícil… É, eu sei. O meu projeto, por exemplo, ainda está longe de onde quero chegar com ele, mas a ideia é continuar tentando, errando e aprendendo até chegar a esse ideal.

Ainda preciso melhorar meu conteúdo e também minhas fontes de receita, mas sinto que devagar vou chegando lá. Quem sabe daqui a dois ou três anos eu não vire um grande portal na minha região?

E se tudo der errado? Aprende com os erros e tenta de novo. A vida é assim.

Afinal ou a gente se adapta ao que está aí, ou tentamos construir um mundo (e um mercado) novo e melhor. Qual futuro você quer?

*Publicado originalmente no Medium.

Quer receber uma curadoria exclusiva de notícias e artigos sobre Comunicação Digital?

Deixe uma resposta